sábado, fevereiro 12, 2011

Pedido ao Negresko Sis

 Vamos falar sobre o que é o Negresko Sis: as cantoras Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas encontraram-se durantes as gravações do (delicioso) álbum do 3 Na Massa, e nesses encontros, o Rica Amabilis, do Instituto, e criador do projeto, ao lado do Dengue e do Pupilo, ambos do Nação Zumbi, comentou que as três belíssimas cantoras pareciam uma bolacha Negresco. As duas belas negras, Thalma e Anelis, e como recheio a branquinha e também bela Céu. Assim surgia o nome do grupo, acrescido de Sis, abreviação de Sisters, do inglês. 
   O trio fez uma das mais belas canções do álbum Vagarosa, da Céu, a música "Bubuia". Na minha humilde opinião a coisa mais linda, pulsante, envolvente e viva que o disco da dona Céu nos trouxe. Depois disso, o Negresko Sis esteve por aí, trabalhando ao lado de grandes artistas, como os backing vocals na regravação de "Umbabarauma", ao lado de Mano Brown e uma galera da boa; ou como a participação na canção linda, linda "Efêmera", do álbum de mesmo nome da Tulipa Ruiz.
   As três, cada uma com suas particularidades, formam um dos grupos mais interessantes que a música nacional pode presenciar  nos últimos tempos; cheias de ginga, de uma malemolência brasileira, de um força pulsante, essas mulheres podem ir muito longe.
   Enfim, esse post é simplesmente para pedir as três: GRAVEM UM DISCO, POR FAVOR. Espero que quem não conhece o trabalho das três individualmente, que conheça, e torço para que se sintam tão envolvidos pela carreira solo e conjunta destas grande artistas; e também que entrem nessa torcida comigo: GRAVEM UM DISCO!!!! 
(não é um vídeo perfeito, mas dá pra ter uma noção do trabalho delas)

PS.: Dona Anelis e Dona Thalma bem que podiam gravar seus discos solos, né?
   

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Lya Luft e a dor

Lya Luft não tem parentesco em nossa literatura: suas histórias, de uma poesia mórbida, desvendam um submundo emocional que poucos se atreveram a penetrar. Caio Fernando Abreu

   Caio F. definiu perfeitamente o trabalho da escritora Lya Luft, poeta das dores, do (da falta de) amor, da opressão, do sofrimento, das mulheres. Mesmo trabalhando com traduções e tendo alguns publicações esparsas de poesia, Lya só lançou seu primeiro romance depois de ter 40 anos, e a partir daí começou sua obra de "poesia mórbida" como escreveu Caio. 
   As personagens de Lya, em sua maioria mulheres, são oprimidas, sofrem, vivem o lado obscuro da vida, num mar de angústia e medo, rodeadas pela falta de carinho, pela necessidade, muitas vezes, de um simples abraço. Quem leu o grande best-seller da autora, "Perdas e Ganhos", sabe que sua vida não é como a de suas personagens, sendo que os grandes sentimentos que ela cultiva durante o livro são a felicidade e a força, a alegria de aproveitar pequenos momentos. Ela própria já comentou sobre esse paradoxo entre sua vida e sua obra:
Sou fascinada pelo lado complicado. Tenho um olho alegre que vive: sou uma pessoa despachada, adoro família, adoro a natureza. Mas eu tenho um outro olho que observa o lado difícil, sombrio. A minha literatura nunca vai ser "aí casaram e foram felizes para sempre". Minha literatura sempre nasceu do conflito, da dificuldade, do isolamento.
   Enfim, escrevo esse texto para dizer: leiam mais Lya Luft, mergulhem nessa obra tão complexa e envolvente produzida pela autora. Sei que muitos conhecem Lya apenas pelo trabalho na Veja, que mesmo sendo um trabalho interessante, onde ela faz apontamentos sobre inúmeras coisas cotidianas e atualidades, porém seus trabalhos como romancista e poeta vão muito mais a fundo na dor que é a vida, nas amarguras do mundo e nas dificuldades de se existir; adentrem nesse mundo.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Arcade Fire e os Subúrbios chegam a Berlim

   Estreia no Festival de Berlim, que inicia-se nesta quinta-feira, o filme "Scenes from the Suburbs", dirigido pelo Spike Jonze embasado no disco "The Suburbs", dos canadenses do Arcade Fire. O filme, um curta de de 30 minutos, ganhou um belo cartaz:

   Já dá pra dizer que um dos melhores clipes do ano passado era o melhor trailer do ano passado?

sábado, fevereiro 05, 2011

Cinema Nacional


   Escrevo esse texto com um pouco de ódio no coração, então relaxem, mas eu realmente fico puto da vida com uma galera falando mal do cinema nacional, sendo que em média assistiu apenas os filmes do Didi, da Xuxa e os "semi" blockbusters brasileiros. O cinema brasileiro carregou durante mais de duas décadas o estigma sexual deixa pelas pornochanchadas (que de pornô só tinham o nome), sendo que grande parte do público não assistia os filmes aqui produzidos alegam serem "apenas putaria". É realmente inegável que muitos filmes ainda nos anos 80 valeram-se do sexo e da nudez para chamar a atenção de uma parcela do público, sendo que alguns dos filmes com maior bilheteria da nossa história utilizavam desses atributos, vide "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "A Dama da Lotação". Isso me faz pensar: engraçado, todos reclamam da "putaria", mas milhões de pessoas assistiram estes filmes nos cinemas!
   Segunda reclamação que surge a partir do início dos anos 2000: filme nacional só mostra pobreza! A maioria esmagadora da população nacional é pobre ou no máximo classe média, sendo assim, essa parcela de população não deve ser retratada? Porém a produção nacional, atualmente, é bem mais diversificada do que se vê divulgado pelas grandes mídias, sendo que filmes sobre violência e pobreza são quase minoria nos inúmeros gêneros que o país lança. Porém percebe-se que os filmes com maior bilheteria nos últimos anos são aqueles que tratam desses temas, desde "Carandiru", passando por "Cidade de Deus", até chegar ao sucesso pop de "Tropa de Elite", e agora, o que o público quer?
   O grande senão disso tudo é que o público nacional não quer se ver na tela, ele quer mais é um mundo irreal, ele quer o mundo das grandes produções hollywoodianas mas com a carinha da Globo. O que vem a ressaltar isso é o imenso sucesso da franquia "Se eu fosse você", que se encaminha para seu terceiro filme, retratando uma família de classe média que não existe no Brasil, vivendo em casa que mais parecem daqueles imensos subúrbios norte-americanos, trazendo um roteiro já saturado no cinemão americano desde os anos 80. Porém filmes simples e interessantes como "Tapete Vermelho", "O casamento de Louise", "Sábado", "Durval Discos", "A casa de Alice", "Quanto dura o amor?", "Casa de Areia", entre muitos outros passam despercebidos.
   Enfim, vejo que o grande problema não é o cinema nacional, que tem produções de altíssima qualidade, mas sim o público brasileiro, que esta completamente dependente das produções hollywoodianas e dominado por um formato "Globo" de contar histórias. Assim, resta torcer pra que o público consiga abrir sua mente para um bom cinema e que parem de ignorar bons filmes apenas por preconceito.
   Ainda torço para um momento em que enxerguem que discutir os problemas sociais, as dificuldades do dia-a-dia e a sexualidade nas telas do cinema não é algo ruim.

PS.: o que me deixa um fiapo de esperança é que os excelentes filmes do Jorge Furtado sempre conseguem um público razoável nos cinemas. 

Imagens dos filmes Tropa de Elite 
e Casa de Areia.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Mombojó e seus pequenos fãs

   Eu estou viciado na faixa "Papapa", do ótimo "Amigo do Tempo", lançado ano passado pelo recifenses do Mombojó. Quem também é fã da música é João, a estrela desse vídeo, postado pela própria banda em seu site, vejam que fofura:

Clipe novo da Marissa Nadler


   A cantora folk Marissa Nadler (amiguinha do Devendra Banhart e da galera do Freak Folk) lançou clipe novo, para a faixa Rosary, presente no seu quarto álbum, intitulado "Little Hells", lançado em 2009. O vídeo foi dirigido por Patrick Fraser, um ótimo fotógrafo (conheçam mais sobre ele).

   Um clipe simples e muito belo.

domingo, janeiro 30, 2011

Zoo Kid: as dores da adolescência

   Quem dera que os adolescentes que resolvessem cantar saíssem por aí ouvindo Suicide, Pixies, Fela Kuti, entre outros. Por que eu falo isso? Por causa do Zoo Kid, artista londrino de 16 anos, que cita, além dessas refêrencias acima, até mesmo Seu Jorge como influência. Aí você pensa, o que pode vir de um garoto que ouve Suicide e Seu Jorge? Um som simples, dramático, apaixonante!

   A primeira canção que conheci é essa acima, chamada "Ocean Bed", e já estou tão viciado. A voz dele soa forte e entregue! Zoo Kid, com seu nome engraçadinho, lançou um EP intitulado "$Quality", porém é tão difícil encontrá-lo (deixo aqui meu pedido, vamos todos procurar mais e mais canções do Zoo Kid pela net, quem conseguir traga até o blog!). Ele prometeu um disco completo, aguardemos!
  Ouçam Zoo Kid!
Zoo Kid - Out Getting Ribs from House Anxiety on Vimeo.

   Nesse site dá pra ouvir mais algumas canções!